Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei do Amor, se a fôrça da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas:
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas,
É teu fim, seu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo:
Queres que fuga de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.
(Bocage)
quarta-feira, 27 de junho de 2012
La chanson la moins finie
"(...)
J'aurais toujours au fond de mon coeur
Un vieux nid d'oiseaux migrateurs
Où viennent se poser la confiance
Et la peur par intermittence
Un ciel ouvet sur l'interdit
D'où je rejoins des galaxies
Quand la nuit avare de lune
M'offre le calme de la brume
Ma chanson pour l'Univers
La plus perso de mes prières
Ni spleen ni mélancolie
C'est ma passion pour l'infini"
Yann Perreau
J'aurais toujours au fond de mon coeur
Un vieux nid d'oiseaux migrateurs
Où viennent se poser la confiance
Et la peur par intermittence
Un ciel ouvet sur l'interdit
D'où je rejoins des galaxies
Quand la nuit avare de lune
M'offre le calme de la brume
Ma chanson pour l'Univers
La plus perso de mes prières
Ni spleen ni mélancolie
C'est ma passion pour l'infini"
Yann Perreau
Dos fragmentos do caos
- Não pode ser bom você chegar ao ponto de ter que abandonar até o que há de ruim por dentro e por fora para poder começar a redesenhar tudo o que foi perdido no desenrolar dos acontecimentos.
- O que há de bom ainda permanece. Permanece?
- Não precisei abandonar, ele foi embora sem eu fazer muito esforço.
- E o que pode ser feito sobre isso?
- Pensei na possibilidade de sentar e chorar, mas a efetividade disso é tão falha quanto esperar o tempo resolver as pendências. O tempo não resolve nada, a lágrima não resolve nada, a espera só piora todas as coisas. Esperança talvez seja a pior coisa a sentir, acreditar é a pior das virtudes. Agora é hora de levantar dessa cadeira e, já sem nada dentro de mim, começar a destruição. É o único modo que eu vejo para poder conseguir caminhar.
Do caderno de Virgínia - Dia último das causas primárias de todos os males
Tu que me fizeste poeta. E com teu bandolim colocou a poetar-se nos sentidos ébrios das cousas mundanas. Tu que te fizeste escravo. E com os mil grilhões detidos foram meus ânimos à sua cabeceira. Desde meus doirados e lamuriosos tempos pueris tu que me fizeste e por fazer eu assim, dor de flor seca do algodoeiro, prendi meu coração aos pés que nunca tocarão os pisos de minha varanda empoeirada. Tu que me fizeste escrava. Tu que me colocaste a p(r)o(f)etizar.
Das coisas que quero dizer
"[...] eu disse cegado por tanta luz tenho dezessete anos e minha saúde é perfeita e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja particular, para meu próprio uso, a igreja que frequentarei de pés descalço, peito desnudo, nu como vim ao mundo, e muita coisa estava acontecendo comigo pois me senti num momento profeta da minha própria história [...]"
Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
domingo, 3 de junho de 2012
Traditore, traditore...
Eram 10 bancos coloridos e eles
sempre a faziam lembrar-se de sua infância brincando de dança da cadeira. Dois
brancos, dois amarelos, três azuis e três vermelhos e ela procurava uma
linearidade entre esses bancos e pensava sobre em como precisava ser menos sistemática e a possibilidade de, na verdade,
ela ser um marinheiro do século XVIII. Dizem os antigos que em tempos de mar
calmo eles ficavam malucos... Quantos eus acabamos criando e quem de fato é o verdadeiro eu ou o outro? O desdobramento de sonhos e o universo refletido em si mesmo intrigavam demais a sua pobre mente que engrenava em mau estado de conservação.
E a vida andava morna demais. Nem fria, nem em
ebulição, estava tudo em banho maria, mas não chegava nem a ser agradável.
Agradabilíssimo ela não queria, tudo que era agradabilíssimo na vida das
pessoas era qualquer coisa que as faziam parecer um poodle insano latindo
efusivo e estridente de uma felicidade que no fim era só prisão. Enquanto isso
ela ainda não tirava a falta de linearidade dos bancos coloridos da cabeça.
Sempre ia sobrar um vermelho e um azul e haveria maneira deles fazerem parte um
do outro?
Hoje
ela sente o que eu sentia naqueles domingos que ficaram perdidos entre
chocolates e praças, gritos e frustrações. Não consigo decifrar o alcance e quando eu finjo que não
estou sentindo nada a única coisa possível de sentir é você. Ela já não tem
mais nada a ver com isso, nem Valerie, nem Virgínia, nem o imponderável, só o
imensurável que na verdade não passa de uma régua de 15 centímetros,
adequadamente feita para caber em um estojo.
Os
bancos coloridos agora estavam presos uns aos outros, a janela escancarada e o
pouco de sol que restava entre as nuvens de chuva a faziam ter uma ligação com
tudo isso que sempre estava ocorrendo. Tudo estava intrinsicamente ligado,
explicado, teorizado, com tanta metodologia vã. Essa merda não serve pra nada.
O
sol continuava incomodar a retina. Havia um bem-te-vi parado no fio de
eletricidade do poste em frente a janela do segundo andar e ela resolveu ver
como era ser um pássaro.
-
Segura a minha mão? Estou com medo.
-
Eu nunca soltei.
Ane B.
Ane B.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Música de sexta...
(...)
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões à pó.
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
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