sábado, 28 de julho de 2012
É uma angústia que comprime o estômago há mais de dois
séculos. Oh, céus, como gostaria que isso fosse exagero. Tudo parece tão distante, tão desnecessário,
tão incompleto e é daquela dor que somem os dedos, as mãos, os olhos, a boca e
devagar come as palavras, come o papel,
come o lápis, os livros e a filosofia. Come seu rosto e come sua sombra.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O que será que me dá?
Bip, bip, bip. Sono, mão, despertador, travesseiro, chão, água, espelho, café, cigarro, café, chuveiro, flúor, tênis, xadrez, gasolina, cigarro, vento, semáforo, táxi, freio, cigarro, café, escada, escada, chiclete, janela, vento, poeira, fechadura, cigarro, e-mail, cigarro, tédio, tédio, tédio, música, café, cigarro, achocolatado, suco, cigarro, tênis, tédio, tédio, tédio, livro, cigarro, jornal, revista, cigarro, tédio, rosto, espelho, água, tédio, cigarro, janela, mochila, fumaça, cigarro, carros, gasolina, trânsito, poeira, chaves, cigarro, tédio, tédio, livro, filme, refrigerante, chocolate, cigarro, tédio, tédio, tédio, cama, travesseiro, tédio, angústia, sono, gastrite, desespero, frio, lágrima, olhos. Bip, bip, bip.
Pra começar bem o fim de semana
Um pingo de chuva estourou na pedra de gelo do meu whisky
Eu lembrei de ti, que sempre quer botar
Pingos de I em ipsilon. Ih, o que é que há?
Parece até que eu sou um livro mal escrito
E que você é uma caneta cor vermelha
Rasurando o que não aceita nem consegue decifrar.
Outras vezes voce tenta feito louca rasgar as minhas páginas
Mal eu esqueço do que lembrei, você aparece: olá!
Olá coisa nenhuma é o que me diz
Roubando meu whisky pra falar
Que eu te beijo como Judas beijou Cristo
Pois levo um tempo a imaginar como seria
Com que e quando eu trairia o que eu
Jamais jurei te dar
Põe na minha boca palavras que não são minhas
Com voz trêmula e trágica
E me ameaça quando diz: Eu vou embora
Vá, você tem seu direito de ir e vir
Mas eu tenho o meu de querer ficar
Não precisa de um pedido de habeas corpus
A porta está aberta, tchau
quinta-feira, 26 de julho de 2012
O que não tem remédio...
O tom, o gosto, o cheiro... Talvez eu tenha sentido a
frequência suave da sua voz rouca declamando as notas poéticas de uma vida tão
maravilhosamente angustiante. Engraçado é como você capta minha alma perdida na
dança do tempo sem nem sequer sentir poucos segundos do meu olhar que vaga pelo
mundo procurando algo que encontro todo dia nas palavras jogadas, gritadas,
escancaradas para quem quiser ouvir e por que será isso que encaixa-se
perfeitamente com o que eu deixei para trás ou o que eu procuro para traçar os
caminhos?
Ficamos perdidos no passado em um momento que talvez nem saberíamos sentir isso
um pelo outro. Me dói saber que existe quem complete esse vazio exatamente por
você não fazer a mínima ideia que completa alguma coisa em algum lugar.
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